O Hipotireoidismo e a Obesidade

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O hipotireoidismo é de fato conhecido por todos como uma das causas de ganho de peso em seres humanos. Mas será que o mesmo ocorre em cães? E como saber se isso está acontecendo?

Os hormônios da tireóide  são responsáveis por todo o metabolismo do corpo, seja ele humano ou animal. Esses hormônios, conhecidos por T3 e T4, ajudam o organismo a produzir energia e, com isso, queimar gordura. Então, a falta dos hormônios da tireóide fará com que o metabolismo energético trabalhe devagar, ocasionando um menor gasto de energia e o aumento de peso. Além disso, o ganho de peso se dá por causa do acúmulo de mucopolissacarídeos (cadeias de açúcar usadas na construção de tecidos) que, associados à retenção de água, produzem inchaço (chamado de mixedema).

Além do ganho de peso, os cães com hipotireoidismo apresentam outros sinais clínicos, como intolerância ao frio (muitas vezes procuram locais mais quentes para dormir nos dias mais frios), relutância em fazer exercícios, problemas de pele e pelagem (pelos foscos, quebradiços, queda de pelo e até falhas na pelagem), anemia e aumento das taxas de colesterol e triglicerídeos.

Os exames de sangue mais utilizados no diagnóstico da doença são a dosagem de T4 livre pela técnica de diálise de equilíbrio e a dosagem de TSH. Outros exames hormonais podem ser solicitados a critério do médico veterinário que acompanha aquele animal.

O tratamento é simples, apenas é necessário que o paciente tome medicação diariamente, conforme a prescrição do médico veterinário. É importante ressaltar que os hipotireoideus gastam 15% menos energia do que os cães sadios se não estiverem tomando medicação, mas uma vez tratados com hormônio, eles voltam a ter um metabolismo normal.

E quanto à obesidade, o culpado é o hipotireoidismo? Cerca de 40% dos animais hipotireoideus são obesos, mas isso está muito mais relacionado ao excesso de alimentos aliado à diminuição de exercícios do que de fato à diminuição do metabolismo. Os hipotireoideus tem mais apetite e gastam menos energia, até fazem menos exercício, são mais letárgicos. Mas, uma vez tratando esses pacientes com a dose certa de hormônio, os mesmos perderão peso SE for associado ao tratamento uma alimentação hipocalórica e a prática de atividades físicas. Então, nada de culpar somente o hipotireoidismo pelo excesso de peso do seu pet, combinado?

Dra. Flávia Braz

Endorinologia e dermatologia veterinária

A Dra. Flávia Braz trabalha com endocrinologia há mais de 10 anos na Vet Care. Sua tese de mestrado foi com dosagem de hormônios da tireóide em cães sadios, por isso ela tem ampla experiência na área. Além disso, como a maioria dos hipotireoideus tem problemas de pele associados, seu conhecimento da dermatologia auxilia ainda mais no diagnóstico dessa doença.

OBESIDADE X COMPLICAÇÕES EM FELINOS

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Com passar do tempo, os felinos estão perdendo cada vez mais seu instinto caçador e tornando-se mais sedentários, juntamente a isso percebemos que a obesidade tem se tornado um fator cada vez mais comum em suas vidas. Com essa tendencia a uma vida totalmente caseira, é provável que o numero de gatos obesos aumente mais ainda futuramente. A obesidade já é o problema nutricional mais comum nos gatos e isso ocorre porque eles consomem mais calorias do que gastam. Em geral, é uma patologia facilmente diagnosticada durante a consulta anual de rotina.

A preocupação com excesso de peso não está relacionada somente a estética, ela ocasiona diversos problemas de saúde que podem diminuir a expectativa de vida dos gatos. Tais como:

  • Artropatias ou Osteopatias: as articulações ficam sobrecarregadas, gerando inflamação e dor, levando-os a reduzirem ainda mais seus movimentos normais.
  • Diabetes: com excesso de gordura do organismo, o pâncreas acaba entrando em exaustão e levando ao quadro, que por muitas vezes pode ser controlado através de uma boa dieta e exercícios, assim como em humanos.
  • Doenças urinárias: felinos deixam de se higienizar e também reduzem a micção, concentrando urina e causando infecções urinárias e obstruções.
  • Lipidose Hepática: umas das patologias mais comuns vistas na clinica médica de felinos, que pode ocorrer em gatos com condição corporal elevada sujeitos a um período prolongado de privação de alimento.

Os fatores de risco associados com a obesidade felina incluem fatores individuais, como o sexo, influência da castração, raça, inatividade física e fatores ambientais, como a presença presença de outros animais na casa e o tipo do ambiente que o animal vive.

A redução eficaz de peso e a manutenção do peso ideal dependem de muitos fatores, dentre eles a perda de peso gradual, com atenção à dieta, exercício e acompanhamento regular, como parte de um programa coordenado de controle de peso. O tratamento da obesidade baseia-se no aumento do gasto energético e diminuição da ingestão calórica. É imprescindível que o proprietário se conscientize da importância de sua participação nas ações do planejamento da redução de peso do animal, não fornecendo alimentação paralela à dieta estipulada e realizando corretamente a rotina de exercícios físicos.

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O controle do peso deve ser buscado antes do aparecimento das consequências relacionadas à obesidade. Frequentemente a obesidade não é causa de consulta médico veterinária, sendo as doenças secundárias o motivo do atendimento clínico, nestes casos fazendo-se necessário o tratamento da doença secundária e da obesidade. Uma das grandes causas de insucessos na redução do peso corporal se deve á incompreensão dos proprietários em aplicar corretamente o programa de emagrecimento por meio da restrição calórica, aumento da atividade física e tratamento das enfermidades secundárias.

Portanto, um rigoroso acompanhamento do programa de emagrecimento e exercícios deve ser feito com um profissional da área apto para um correto tratamento, alcançando a perda de peso e melhora do bem estar do animal.

Dra.Gabriela Vieira – Especialista em Medicina Felina da Clinica Vet Care

Obesidade X Ortopedia

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Obesidade e sua influência direta sobre os nossos pacientes ortopédicos.
As doenças osteoarticulares são muito frequentes na rotina de atendimento clínico de cães e gatos.
Essas patologias podem se manifestar de diversas formas, comprometendo tendões, ligamentos, articulações, ossos e musculatura.
Alguns fatores importantes podem desencadeá-las: idade, perfil da raça, carga genética, falta de exercícios, piso liso e obesidade, dentre outros.
Destacamos aqui o fator obesidade, pois, além de todos os problemas clínicos que ele pode causar ao nosso paciente (ex: Diabetes, cardiopatia etc), gera, também, uma sobrecarga significativa nas articulações do corpo do animal , (ex: joelho, quadril, cotovelo e coluna) são os principais problemas dentro da rotina de atendimentos, e sendo assim, podendo comprometer, qualquer prognóstico clínico/cirúrgico desses pacientes em questão.
É de extrema importância que as causas da obesidade do animal sejam investigadas pelo médico veterinário de confiança, e que sejam combatidas, zelando pelo bem estar animal.

Dr.Marcello – especialista em ortopedia na Clínica Vet Care

Cuidado na Páscoa!

 

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Pensando em compartilhar um pedacinho do seu chocolate nesta Páscoa com seu pet??? Muito cuidado! Chocolate é tóxico para eles.

O chocolate deriva das sementes assadas do cacau e na sua constituição existe grande quantidade de carboidratos, lipídios, aminas biogênicas,
neuropeptídios e metilxantinas, as quais são a teobromina e a cafeína. As metilxantinas são os maiores causadores de intoxicação nos cães e gatos, e a quantidade de teobromina varia de acordo com o tipo de chocolate.

Quanto mais gordura, menor vai ser o teor de teobromina, como é o caso dos chocolates brancos, já que esses não oferecem tanto risco para os pets. Quanto mais escuro for o chocolate mais teobromina, assim havendo uma possibilidade maior de ocorrer intoxicação. Assim, o chocolate amargo, é o que oferece maior risco, pois possui um teor mais elevado de teobromina. Em grandes quantidades no organismo a teobromina causa: vômito, diarréia, diurese, relaxamento dos músculos lisos, principalmente da bexiga; estímulo do coração, aumento da contratibilidade miocárdica e taquiarritmias;
estímulo do SNC, potencialização do estado de alerta e hiperatividade reflexa, tremores, ataques convulsivos; aumento de resistência vascular cerebral, embora provoque uma diminuição do afluxo e da tensão de oxigênio na circulação periférica.

Os efeitos globais são: ligeiro aumento da pressão arterial, nervosismo,
inquietude, insônia, tremores e convulsões crônicas. Este quadro é extremamente perigoso em cães doentes ou em risco de epilepsia, pois há crises muito graves podendo levar o animal a óbito.

Então, não esqueça! Atenção redobrada nesta época do ano que tão deliciosa é atrativa para seu amiguinho!

Dra.Clarissa Galvão – nutróloga da clínica Vet CareIMG_6176

A importância da nutrição no Paciente Renal Crônico

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A doença renal crônica (DRC) é a doença progressiva mais comum em cães e gatos idosos. A maior sobrevida de doentes renais crônicos depende do diagnóstico precoce e do tratamento adequado. Assegurando, simultaneamente um estado nutricional adequado. A avaliação nutricional é essencial para prevenir a progressão da doença.

Com a crescente evolução da medicina veterinária e o maior apego e cuidado dos proprietários com seus animais de estimação, os cães e gatos estão apresentando uma longevidade cada dia maior e, quanto maior o tempo de vida, maior a probabilidade de surgimento de doenças degenerativas. A doença renal crônica (DRC) é a doença progressiva mais comum em cães e gatos idosos.

A maior sobrevida de doentes renais crônicos depende do diagnóstico precoce e do tratamento adequado. A mudança na dieta é a base do tratamento da DRC. Muito se tem estudado a esse respeito e, mudanças na formulação das dietas terapêuticas têm sido feitas em resposta as pesquisas.

É comum que o paciente manifeste dificuldade de alimentar-se adequadamente devido aos sintomas de alterações gastrointesinais. Algumas medidas podem ser tomadas para estimular a ingestão voluntaria do alimento, tais como aquecê-lo moderadamente para estimular o olfato, oferecer alimentos mais palatáveis, alterar a marca da ração utilizada ou ainda buscar alimentos de consistência mais pastosa ou liquidas. Nesse caso, a utilização de alimentos comerciais não terapêuticos de alta palatabilidade deve ser preconizada até que o animal esteja ingerindo quantidade aceitável de alimento e apresentando boa condição corporal.

Opta-se por apresentar a ração terapêutica renal ao paciente somente quando ele estiver se alimentando voluntariamente.

O principal objetivo do suporte nutricional é manter a condição corporal ideal e manutenção da massa magra corporal, evitando assim o desenvolvimento de quadro de desnutrição. Sendo este a maior causa de morte em paciente com DRC.

As dietas formuladas para pacientes renais têm por base a restrição de proteínas e fósforo, assim como aumento de vitaminas do complexo B, fibras, maior densidade energética, suplementação de Omega 3 e adição de antioxidantes.

A água deve sempre estar a disposição do paciente, limpa, fresca e de boa qualidade.

Uma nutrição adequada favorece o estado metabólico na doença, otimizando a resposta aos tratamentos, impedindo a imunossupressão, a perda de massa magra e auxiliando na reparação tecidual.

Dra.Clarissa Galvão – Nutróloga Veterinária

Como posso prevenir a DRC?

O diagnóstico precoce da doença renal é de extrema importância, já que uma vez que as células renais morrem, elas não regeneram, o que caracteriza a doença como irreversível.

Os animais podem ter risco de desenvolvimento da doença renal crônica (DRC) por vários motivos, mas o importante é que se faça esse diagnostico antes mesmo do quadro de insuficiência.

A creatinina é usada como marcador fiel da função renal, mas tem desvantagens na sua avaliação. Seus valores de normalidade de até 1,4mg/dL no cão e 1,6mg/dL no gato, podem se elevar tardiamente, depois de uma perda de mais de 2/3 das células renais. Muitos desses animais com pequenos aumentos da creatinina são assintomáticos ou apresentam pequenas alterações na rotina, o que torna ainda mais complicado o diagnostico precoce. Além disso, a creatinina tem interferência pela quantidade de massa muscular do animal, já que é produto do metabolismo muscular, podendo estar subestimada em alguns casos.

Por isso, em animais com perda de massa muscular e idosos, podemos dosar o SDMA (Dimetil Arginina Simétrica), que é um marcador que vem sendo utilizado mais recentemente e não sofre alterações pela massa muscular. Além disso, o SDMA apresenta outras vantagens, sendo a principal delas o aumento precoce de seus valores com perdas de cerca de 40% da função renal, mais precocemente do que a creatinina, e numa fase da doença onde ainda não temos sintomas e quando temos muito mais a fazer pelos pacientes.

Diversos marcadores vem sendo estudados para determinar essa perda de função de maneira mais precoce. Mas um exame de urina simples é outra forma de indicar algum grau de insuficiência, a partir da avaliação da densidade da urina e da perda de proteína pelas vias urinarias. Os rins trabalham para reabsorver água para o organismo, e muitos animais que tem doenças hormonais, e doença renal perdem essa capacidade, o que torna a urina muito diluída (aspecto muito transparente, quase água). Em alguns casos uma perda excessiva de água na urina pode levar ao aumento da ingestão de água para compensar. Mas alguns animais não fazem essa compensação e acabam desidratando rápido. Essa situação pode prejudicar a função renal ainda mais e levar a morte de mais células renais, até que se chegue ao quadro de insuficiência.

Dr.Igor Wirth – Nefrologista Veterinario

Você sabe o que é PKD?

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Polycystic Kidney Disease (PKD) ou Doença do Rim Policístico (DRP) é uma das doenças genéticas mais importantes que afetam os felinos. Ela se caracteriza pelo surgimento de cistos no rim, causando disfunção renal e posteriormente, insuficiência renal. O surgimento dos cistos ocorre ainda no período gestacional, porém estes aumentam de tamanho com o passar do tempo, e podem variar de 1 mm a 1 cm de diâmetro. Normalmente animais idosos apresentam cistos maiores e em maior quantidade que animais mais jovens.

A raça mais acometida, sem duvidas, é a Persa. Mais ou menos cerca de 35% dos Persas podem ser portadores do gene para PKD, portanto todas as raças geneticamente próximas a ela como: Himalaio, Exótico, Sagrado da Birmânia, British Shorthair, American Shorthair e Scottish Folds, podem apresentar maior propensão à doença (prevalência estatística). A PKD tem origem genética, é autossômica dominante, o que quer dizer que se um dos seus pais tem doença policística, a chance dos filhos terem também é de 50%.

Os sinais da doença ocorrem de forma tardia, entre três a dez anos de idade, quando geralmente o quadro de doença renal começa a se instalar. São eles: sede intensa, letargia, vômitos, perda ou redução do apetite, emagrecimento e micção excessiva. Os gatos portadores de DRP podem ser assintomáticos, caso o comprometimento seja unilateral, ou demonstrar sinais de insuficiência renal, quando for bilateral. Na maioria das vezes, as complicações da doença ocorrem quando há o crescimento dos cistos, que causam disfunção renal, levando, finalmente, à falência renal.

O diagnostico precoce da doença  é de grande importância. A nefromegalia, causada devido à presença de múltiplos cistos renais, pode ser percebida clínico durante a palpação e deve ser investigada.

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A doença renal policística em gatos pode ser diagnosticada utilizando-se os sinais clínicos, achados laboratoriais, resultados de imagens obtidas por exame radiográfico, ultrassonográfico, tomografia computadorizada, urografia excretora e biópsia renal. Sendo que a tomografia não acrescenta muitas informações a mais que o simples exame ultrassonográfico.

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Os exames de DNA são geralmente realizados em gatos com 8 a 10 semanas, e têm 100% de confiabilidade, em qualquer idade.

Sendo uma doença genética, não existe cura, portanto, os animais devem ser tratados como insuficientes renais crônicos. O controle da doença deve-se basear-se em precocidade diagnóstica por meio principalmente da realização de exames ultrassonográficos e exames de DNA em animais antes de iniciarem suas vidas reprodutivas. Sendo importante a esterilização dos animais positivos, já que o mesmo terá chance de transmitir a doença para pelo menos 50% de sua prole, mesmo na ausência de sinais clínicos, sendo também relevante a realização de exame ultrassonográfico dos familiares quando for identificada positividade.

Dra.Gabriela Vieira – Clinica Geral e Especialista em Felinos