Arquivo mensal: junho 2016

Você já ouviu falar em superbactérias? Elas podem aparecer também no seu melhor amigo.

dog and baby

Recentemente uma matéria na imprensa internacional fez relatos sobre uma bactéria encontrada nos EUA, que também já havia sido identificada na China um ano antes, resistente a última opção de antimicrobiano disponível, assustando toda a comunidade médica (leia a matéria aqui http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/superbacteria-pode-dar-inicio-ao-fim-dos-antibioticos).  Apesar do fato ter ocorrido em seres humanos, ele também nos preocupa, uma vez que a cada ano que passa mais e mais animais são identificados como portadores de bactérias multiresistentes, as famosas superbactérias. Essas bactérias são assim chamadas justamente porque elas já não são mortas com os antibióticos comumente usados na rotina clínica. Mas todos nós, veterinários e também vocês tutores de cães e gatos, podemos estar contribuindo para o aparecimento cada vez mais frequente dessas bactérias resistentes. De acordo com o médico veterinário Bruno Penna, Phd e professor de bacteriologia da Universidade Federal Fluminense, o uso indiscriminado de antimicrobianos, frequentemente determinado por veterinários sem a prévia realização de testes de suscetibilidade aos antimicrobianos (TSA) ou por proprietários sem a prévia orientação do veterinário responsável, também tem contribuído para o aparecimento de cepas multiresistentes, o que não acontecia nos primeiros anos da introdução desses antimicrobianos na clínica veterinária.  Ressalta o Dr. Bruno que “Dado que a transmissão dessas bactérias para seres humanos pode ocorrer por meio de contato direto com animais reservatórios ou a exposição a um ambiente contaminado, o conceito contemporâneo de saúde única ou “One Health” não pode ser esquecido. O aumento e expansão das populações humanas, juntamente com contato cada vez mais intimo com os animais de companhia resultam numa maior oportunidade para interações humano-animal. Neste cenário, os diferentes biomas e ecossistemas permitem uma exposição à diferentes bactérias multirresistentes.”

E como podemos evitar o aparecimento de bactérias multiresistentes? Alguns pequenos procedimentos podem ser seguidos a fim de evitar o aumento da incidência desse tipo de bactéria, não só no nossos pacientes, mas também para saúde pública:

  1. Não use antibióticos de forma indiscriminada! Seja um remédio de ouvido ou um antibiótico para tratar um problema de pele, ele só deve ser usado quando realmente necessário. A medicação dada sem prescrição médica contribui muito para isso. Sabe aquele remédio de ouvido que você passa uma vez por semana no ouvido do seu animal para evitar que ele tenha otite? Então, em breve nem ele e nem outros antibióticos tratarão um infecção nesse ouvido. Aos poucos esse uso contínuo estará selecionando somente bactérias resistentes para habitarem o conduto auditivo do seu cãozinho. E ainda podem no future causarem infecções em você ou nos outros membros da sua família;
  2. Quando seu veterinário prescrever um tratamento com antibiótico, não interrompa o tratamento antes do tempo prescrito por ele, pois algumas bactérias morrem mais rápido, outras demoram mais a morrer. Parar muito cedo pode render a falha no tratamento e troca desnecessária de antimicrobiano, estimulando ainda mais a tal seleção das bactérias resistentes;
  3. Da mesma forma, use sempre a dose correta prescrita pelo seu médico veterinário e siga sempre os horários determinados, sem atrasos e faltas.
  4. Sempre peça a seu veterinário que faça a cultura e antibiograma, seja de uma lesão de pele ou de uma amostra de urina no caso de uma infecção urinária, mesmo quando se trata do primeiro caso. Prevenir é sempre melhor do que remediar;
  5. Os veterinários devem sempre que possível usar antibióticos mais simples e deixar os antibióticos potentes para infecções mais graves e, nesses casos, sempre respaldados por uma cultura e TSA. Só o seu veterinário tem condições de avaliar o caso do seu animal.

Dra. Flávia Braz – atendimento de dermatologia e endocrinologia na Vet Care

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Senilidade e Disfunção Cognitiva nos cães

old dog and cat

Seu animalzinho idoso esta apresentando mudanças de comportamento? Trocando a noite pelo dia? Ele pode estar tendo sinais relacionados á senilidade que acabam afetando todo o seu organismo. Fique atento a essas alterações e saiba como lidar com elas.

Graças aos avanços na Medicina Veterinária, temos recebido em nossos consultórios muitos animais considerados geriatras. Atualmente a expectativa de vida média dos cães nos países ocidentais é de 13 a 14 anos, enquanto dos gatos chega a 15 anos, variando de acordo com estilo de vida que o animal tem, associado a doenças que possam vir a debilita-lo. A população geriatra vem crescendo e passando muitas vezes dessa expectativa média, trazendo com ela as enfermidades associadas a esse avanço de idade. Não devemos tratar o envelhecimento como doença, mas sim ficar atentos a essas alterações e doenças que acabam por ser tornar mais frequentes e podem diminuir a qualidade de vida dos nossos bichinhos.

As consequências do envelhecimento em animais são muito parecidas com o que ocorre em nós Humanos e alguns desses efeitos são muito difíceis de ser avaliados, por isso temos que estar sempre dispostos a investigar e atuar na prevenção desses efeitos.

A neurologia acaba tendo papel importante nessas alterações, à semelhança do que ocorre em nós, com o sistema nervoso sofrendo injúrias com o passar do tempo. A síndrome da disfunção cognitiva pode ser definida como o conjunto de alterações que afetam a função mental provocando mudanças de comportamento secundárias, parecidas com o Alzheimer no caso dos cães. Os gatos não demonstram um padrão similar. O diagnóstico dessa síndrome se dá pela eliminação de outras causas orgânicas e as próprias alterações comportamentais. Essas alterações podem ser agudas, mas no geral são graduais e podem não ser percebidas facilmente pelos proprietários. As primeiras alterações geralmente percebidas são as que envolvem outras pessoas, como animais que antes se importavam muito com a chegada de alguém e de repente parecem não notar as idas e vindas dessa pessoa. A alegria e vontade dos passeios tendem a ficar menos frequentes, assim como as brincadeiras. O idoso começa a perder referência dessas horas, tanto como das horas de se alimentar e de dormir, alterando seu ciclo sono-vigília.

Alguns podem ser tornar agressivos em alguns momentos e tendem a voltar a seus estados mentais normais de repente, tendo várias alterações durante o dia. O animal pode ter um andar compulsivo pela casa ou começar a andar em círculos, normalmente sempre para o mesmo lado,assim como ter crises de vocalização sem motivo que costumam ocorrer mais a noite.

O tratamento inclui primeiramente a informação correta ao proprietário e a conscientização do problema do animal. Medicações adequadas também devem ser usadas paralelamente. Muitos proprietários chegam aos consultórios esgotados e aborrecidos ao relatar que seus animais não dormem a noite e uivam sem motivo. A confiança e a transparência na comunicação são vitais para o sucesso do tratamento. Paciência e carinho são fundamentais nesse momento e o seu bichinho pode sim melhorar e conseguir levar uma vida pelo menos próxima ao normal.

Caso seu melhor amigo esteja apresentando esses sinais, procure o médico veterinário da sua confiança, pois ele saberá ajudar você e o seu animal a superarem essas dificuldades.

Dra. Flávia Melo

Médica veterinária – atendimento de clínica geral na Vet Care