Arquivo mensal: março 2017

A importância da nutrição no Paciente Renal Crônico

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A doença renal crônica (DRC) é a doença progressiva mais comum em cães e gatos idosos. A maior sobrevida de doentes renais crônicos depende do diagnóstico precoce e do tratamento adequado. Assegurando, simultaneamente um estado nutricional adequado. A avaliação nutricional é essencial para prevenir a progressão da doença.

Com a crescente evolução da medicina veterinária e o maior apego e cuidado dos proprietários com seus animais de estimação, os cães e gatos estão apresentando uma longevidade cada dia maior e, quanto maior o tempo de vida, maior a probabilidade de surgimento de doenças degenerativas. A doença renal crônica (DRC) é a doença progressiva mais comum em cães e gatos idosos.

A maior sobrevida de doentes renais crônicos depende do diagnóstico precoce e do tratamento adequado. A mudança na dieta é a base do tratamento da DRC. Muito se tem estudado a esse respeito e, mudanças na formulação das dietas terapêuticas têm sido feitas em resposta as pesquisas.

É comum que o paciente manifeste dificuldade de alimentar-se adequadamente devido aos sintomas de alterações gastrointesinais. Algumas medidas podem ser tomadas para estimular a ingestão voluntaria do alimento, tais como aquecê-lo moderadamente para estimular o olfato, oferecer alimentos mais palatáveis, alterar a marca da ração utilizada ou ainda buscar alimentos de consistência mais pastosa ou liquidas. Nesse caso, a utilização de alimentos comerciais não terapêuticos de alta palatabilidade deve ser preconizada até que o animal esteja ingerindo quantidade aceitável de alimento e apresentando boa condição corporal.

Opta-se por apresentar a ração terapêutica renal ao paciente somente quando ele estiver se alimentando voluntariamente.

O principal objetivo do suporte nutricional é manter a condição corporal ideal e manutenção da massa magra corporal, evitando assim o desenvolvimento de quadro de desnutrição. Sendo este a maior causa de morte em paciente com DRC.

As dietas formuladas para pacientes renais têm por base a restrição de proteínas e fósforo, assim como aumento de vitaminas do complexo B, fibras, maior densidade energética, suplementação de Omega 3 e adição de antioxidantes.

A água deve sempre estar a disposição do paciente, limpa, fresca e de boa qualidade.

Uma nutrição adequada favorece o estado metabólico na doença, otimizando a resposta aos tratamentos, impedindo a imunossupressão, a perda de massa magra e auxiliando na reparação tecidual.

Dra.Clarissa Galvão – Nutróloga Veterinária

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Como posso prevenir a DRC?

O diagnóstico precoce da doença renal é de extrema importância, já que uma vez que as células renais morrem, elas não regeneram, o que caracteriza a doença como irreversível.

Os animais podem ter risco de desenvolvimento da doença renal crônica (DRC) por vários motivos, mas o importante é que se faça esse diagnostico antes mesmo do quadro de insuficiência.

A creatinina é usada como marcador fiel da função renal, mas tem desvantagens na sua avaliação. Seus valores de normalidade de até 1,4mg/dL no cão e 1,6mg/dL no gato, podem se elevar tardiamente, depois de uma perda de mais de 2/3 das células renais. Muitos desses animais com pequenos aumentos da creatinina são assintomáticos ou apresentam pequenas alterações na rotina, o que torna ainda mais complicado o diagnostico precoce. Além disso, a creatinina tem interferência pela quantidade de massa muscular do animal, já que é produto do metabolismo muscular, podendo estar subestimada em alguns casos.

Por isso, em animais com perda de massa muscular e idosos, podemos dosar o SDMA (Dimetil Arginina Simétrica), que é um marcador que vem sendo utilizado mais recentemente e não sofre alterações pela massa muscular. Além disso, o SDMA apresenta outras vantagens, sendo a principal delas o aumento precoce de seus valores com perdas de cerca de 40% da função renal, mais precocemente do que a creatinina, e numa fase da doença onde ainda não temos sintomas e quando temos muito mais a fazer pelos pacientes.

Diversos marcadores vem sendo estudados para determinar essa perda de função de maneira mais precoce. Mas um exame de urina simples é outra forma de indicar algum grau de insuficiência, a partir da avaliação da densidade da urina e da perda de proteína pelas vias urinarias. Os rins trabalham para reabsorver água para o organismo, e muitos animais que tem doenças hormonais, e doença renal perdem essa capacidade, o que torna a urina muito diluída (aspecto muito transparente, quase água). Em alguns casos uma perda excessiva de água na urina pode levar ao aumento da ingestão de água para compensar. Mas alguns animais não fazem essa compensação e acabam desidratando rápido. Essa situação pode prejudicar a função renal ainda mais e levar a morte de mais células renais, até que se chegue ao quadro de insuficiência.

Dr.Igor Wirth – Nefrologista Veterinario

Você sabe o que é PKD?

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Polycystic Kidney Disease (PKD) ou Doença do Rim Policístico (DRP) é uma das doenças genéticas mais importantes que afetam os felinos. Ela se caracteriza pelo surgimento de cistos no rim, causando disfunção renal e posteriormente, insuficiência renal. O surgimento dos cistos ocorre ainda no período gestacional, porém estes aumentam de tamanho com o passar do tempo, e podem variar de 1 mm a 1 cm de diâmetro. Normalmente animais idosos apresentam cistos maiores e em maior quantidade que animais mais jovens.

A raça mais acometida, sem duvidas, é a Persa. Mais ou menos cerca de 35% dos Persas podem ser portadores do gene para PKD, portanto todas as raças geneticamente próximas a ela como: Himalaio, Exótico, Sagrado da Birmânia, British Shorthair, American Shorthair e Scottish Folds, podem apresentar maior propensão à doença (prevalência estatística). A PKD tem origem genética, é autossômica dominante, o que quer dizer que se um dos seus pais tem doença policística, a chance dos filhos terem também é de 50%.

Os sinais da doença ocorrem de forma tardia, entre três a dez anos de idade, quando geralmente o quadro de doença renal começa a se instalar. São eles: sede intensa, letargia, vômitos, perda ou redução do apetite, emagrecimento e micção excessiva. Os gatos portadores de DRP podem ser assintomáticos, caso o comprometimento seja unilateral, ou demonstrar sinais de insuficiência renal, quando for bilateral. Na maioria das vezes, as complicações da doença ocorrem quando há o crescimento dos cistos, que causam disfunção renal, levando, finalmente, à falência renal.

O diagnostico precoce da doença  é de grande importância. A nefromegalia, causada devido à presença de múltiplos cistos renais, pode ser percebida clínico durante a palpação e deve ser investigada.

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A doença renal policística em gatos pode ser diagnosticada utilizando-se os sinais clínicos, achados laboratoriais, resultados de imagens obtidas por exame radiográfico, ultrassonográfico, tomografia computadorizada, urografia excretora e biópsia renal. Sendo que a tomografia não acrescenta muitas informações a mais que o simples exame ultrassonográfico.

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Os exames de DNA são geralmente realizados em gatos com 8 a 10 semanas, e têm 100% de confiabilidade, em qualquer idade.

Sendo uma doença genética, não existe cura, portanto, os animais devem ser tratados como insuficientes renais crônicos. O controle da doença deve-se basear-se em precocidade diagnóstica por meio principalmente da realização de exames ultrassonográficos e exames de DNA em animais antes de iniciarem suas vidas reprodutivas. Sendo importante a esterilização dos animais positivos, já que o mesmo terá chance de transmitir a doença para pelo menos 50% de sua prole, mesmo na ausência de sinais clínicos, sendo também relevante a realização de exame ultrassonográfico dos familiares quando for identificada positividade.

Dra.Gabriela Vieira – Clinica Geral e Especialista em Felinos