Arquivo mensal: setembro 2017

Esporotricose: saiba mais sobre essa zoonose

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Já ouviu falar em esporotricose? A doença vem se tornando um problema de saúde pública no Estado do Rio de Janeiro, em razão de ser uma zoonose, e  do aumento significativo de casos em seres humanos nos últimos anos.

A esporotricose é uma micose causada, na maior parte dos casos, pela implantação traumática do fungo Sporothrix schenckii na pele. Tanto seres humanos quanto os felinos adquirem a doença através da penetração traumática na pele causada por felpas de madeira, espinhos de plantas e material vegetal contaminado. A infecção através da inalação de estruturas fúngicas (conídios) presente no ambiente é considerada rara. Os felinos acometidos por esse fungo podem transmitir, ao homem e a outros animais, através de mordeduras e arranhaduras, ou ainda pelo contato da pele ou mucosa com as secreções das lesões. Na maioria das vezes a enfermidade evolui como infecção benígna, limitada à pele e ao tecido subcutâneo, mas em raras ocasiões pode se disseminar, acometendo os ossos e órgãos internos.

As formas clínicas de esporotricose são: cutânea, cutâneo – linfática ou disseminada. Em muitos casos, mais de uma forma clínica pode ser observada. Em gatos, a forma cutânea é a mais freqüente e manifesta-se como lesões papulonodulares geralmente localizadas na região de cabeça, na parte distal dos membros ou na base da cauda. As áreas acometidas ulceram (formam feridas) e drenam secreção purulenta, levando à formação de crostas. Extensas áreas de necrose podem desenvolver e evoluir com a exposição de músculos e ossos. A doença pode se disseminar para outras áreas do corpo por auto-inoculação, devido aos hábitos de higiene da espécie felina. E ainda podem manifestar forma disseminada da doença que  está associada a sinais sistêmicos de prostração e febre.

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Fotos: felino de aproximadamente 1ano, atendido na Vet Care com lesões ulceradas em lábio superior.

A esporotricose deve ser suspeitada quando o felino apresenta lesões de pele ulceradas ou supurativas, especialmente quando as lesões são refratárias ao tratamento com antibióticos. Os animais que tem acesso à rua são facilmente infectados, especialmente aqueles que são portadores de doenças virais, como FIV, FELV e PIF. O diagnóstico definitivo de esporotricose está baseado histórico, exame fisco e  no isolamento e identificação do microorganismo. Este pode ser realizado através de exame citopatológico da secreção e do aspirado por agulha fina, no exame histopatológico da pele acometida e na cultura fúngica. Mas, na grande maioria das vezes, numa simples citologia da lesão de pele conseguimos encontrar o fungo e confirmar a doença.

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Como a esporotricose é uma doença de alto risco para a saúde pública deve-se tomar medidas preventivas como tratamento e isolamento dos animais doentes até a completa cicatrização das lesões. O tutor de um felino afetado deve ser alertado do potencial infeccioso da doença, sendo orientado quanto a desinfecção das instalações com solução de hipoclorito de sódio instituída durante o tratamento, visando proteger os humanos que mantenham contato com gatos infectados, devido à natureza contagiosa da doença. Além disso, o tutor e o médico veterinário devem sempre usar luvas ao manipular esse animal e lavar as mãos com soluções antisépticas de clorexidine. Caso o humano seja arranhado ou mordido por um felino com suspeita de esporotricose, ele deverá lavar a ferida com bastante sabão e água morna a quente e imediatamente procurar auxílio médico. Outro ponto importante é a castração dos gatos machos que, por circularem pela rua, são mais propensos a brigas que podem causar feridas e acidentalmente inocular o fungo.

Dra. Gabriela Vieira – medicina de felinos Vet care

Dra. Flávia Braz – dermatologia veterinária Vet Care

 

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Desmaio ou convulsão? Saiba como diferenciar

DOG AUS
Você saberia dizer se seu pet desmaiou ou teve uma crise convulsiva?
Num momento de desespero, se seu pet ficar desacordado ou perder os sentidos, muitas vezes você não saberá informar detalhes sobre o que houve. Porém, para o veterinário, saber se foi um desmaio ou convulsão faz toda a diferença no diagnóstico e tratamento do problema.
Geralmente, quando os Pets apresentam desmaio (ou síncope), eles perdem todas as reações e ficam desacordados, imóveis. Esse desmaio pode ser precedido de um espasmo e relaxamento dos esfíncteres promovendo a defecação e micção de forma involuntária. O animal fica mole, como se estivesse dormindo.
Já na convulsão, o animal apresenta vários movimentos espásticos, olhar vidrado, tremores generalizados, além de defecação e micção de forma involuntária. E o animal também perde os sentidos.
Tanto a convulsão quanto a síncope podem ser consequências de doenças cardíacas. Em função de uma doença no coração, ocorre uma redução do aporte de oxigênio ao tecido cerebral e, com isso, o animal pode desmaiar ou convulsionar.
Então, se o seu animal convulsionar ou desmaiar, mantenha a calma e perceba esses sinais e, em seguida, leve-o imediatamente ao veterinário! Só assim, o médico veterinário poderá socorrer de forma imediata o paciente e, para ter um diagnóstico mais preciso, encaminhá-lo em seguida para o médico veterinário especializado em cardiologia.
Dra. Indira Ormond – cardiologia veterinária