Arquivo mensal: dezembro 2017

Testes alérgicos em cães: tire suas dúvidas

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As doenças alérgicas são cada vez mais comuns nos nossos pets.  A dermatite atópica canina (DAC), que acomete de 10 a 20% da população total de cães, é um tipo de doença alérgica e uma das principais causas de coceira em cães. É uma doença crônica e que não tem cura, apenas controle, que pode ser através de medicamentos tópicos (xampu, hidratantes, sprays, etc), comprimidos orais, controle do ambiente onde o animal vive e, mais recentemente, o uso de vacinas (imunoterapia).

Em animais atópicos, há uma predisposição hereditária a desenvolver reações alérgicas, mediadas pelas imunoglobulinas E (Ig E), em resposta a vários alérgenos ambientais. Ou seja, o organismo de cada paciente produz anticorpos contra determinados agentes (alérgenos) que causam alergia e, consequentemente, a coceira e vermelhidão na pele. E que agentes são esses? Pólens de plantas (árvores, arbustos e grama), poeira doméstica (que possui restos de inseto e principalmente os famosos ácaros), bolores que acometem ambientes úmidos (“mofo”) e ácaros presentes em rações comerciais.

  • Então, como posso saber ao que o meu cachorro é alérgico?

O seu melhor amigo pode fazer um teste alérgico, a fim de se determinar qual os alérgenos ele apresenta reação e, a partir disso, desenvolver uma vacina específica para ele.

  • Como é feito esse teste alérgico?

Em primeiro lugar, os cães alérgicos passam por uma consulta com o veterinário dermatólogo a fim de diagnosticar a DAC e saber se, no caso específico do animal, o teste alérgico pode ser realizado.

 Existem 2 tipos de teste alérgico: cutâneo e sorológico. O cutâneo é simples, seguro e realizado dentro do consultório. O teste é realizado na lateral do tórax onde, após tosarmos uma pequena área, pingamos diversos extratos suspeitos de causar alergia naquele paciente. Em seguida, realizamos uma leve picada  na pele (chamada de puntura). Não há sangue e nem desconforto para o paciente. Após 15 minutos, analisamos se o paciente fez uma pequena reação alérgica no local, semelhante a uma picada de inseto.

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Já o teste sorológico é realizado através de uma amostra de sangue, onde é enviado ao laboratório e, cerca de 7 dias úteis, temos um resultado mostrando quais alérgenos esse paciente apresentou sensibilidade.

  • E qual teste é melhor?

Apesar de podermos testar mais alérgenos através do teste sorológico, o resultado pode indicar uma sensibilização e, não necessariamente, alergia. Ou seja, o animal pode apresentar reação a substâncias que ele não tem alergia, apenas teve contato.

Já os testes cutâneos tem a vantagem do resultado mais ser rápido e são mais específicos que os de sangue, ou seja, quando o animal reage àquele extrato, é porque de fato tem alergia àquele alérgeno.

 Por isso, a escolha e interpretação de ambos deverá ser feita por um profissional capacitado e inclui não somente o teste em si, como também a história clínica daquele paciente.

  • Quais são os cuidados que devemos ter antes de realizarmos os testes?

Em ambos os testes, o paciente não pode estar usando nenhuma das medicações abaixo:

– Cortisona, seja ela na forma tópica (pomada, gel, colírio, remédios de ouvido), oral (comprimidos e cápsulas) ou injetáveis

– Uso de imunomoduladores, como ciclosporina e oclacitinib

– Antihistamínicos (hidroxizine, clemastina, difenidramina, entre outros)

– Algumas medicações antidepressivas

O ideal é consultar o médico veterinário e informar por quanto o tempo o paciente tem que ficar sem essas medicações para fazer o teste, porque isso varia de acordo com o tipo e o tempo de utilização da medicação.

No caso do teste cutâneo, o paciente não pode estar apresentando infecções de pele no dia do teste e nem a pele muito irritada.

  • Meu cachorro precisa ser sedado antes de fazer o teste cutâneo?

Na grande maioria das vezes não precisa, mesmo em cães agressivos. O animal consegue ser facilmente seguro por nossos auxiliares. Mas, quando o animal é extremamente agressivo ou muito agitado, é necessária uma sedação leve, segura e bem rápida.

  • O animal irá fica com mais coceira após o teste cutâneo?

Se o paciente apresentar uma reação alérgica exagerada, ele pode sim se coçar mais após o exame, mas ele também já poderá voltar a tomar medicações antialérgicas.

  • Consigo, através desses testes, testar ao que o meu cãozinho pode ter alergia a alimentos?

Os testes cutâneos que medem a reação alérgica a alimentos são bastante utilizados para diagnóstico de alergia alimentar em seres humanos, mas em cães ainda estão em fase experimental e esperamos que, em muito em breve, poderemos realiza-los também. Em relação aos testes sorológicos, alguns testes no mercado veterinário já testam alimentos, mas eles apresentam bastante resultado falso positivos, por isso não são recomendados na maioria dos casos.

  • Uma vez realizado o teste, como será o tratamento através das vacinas?

A imunoterapia alérgeno específica é o nome correto a popular “vacina para alergia”. O tratamento com a imunoterapia funciona através da exposição do paciente a doses crescentes de um ou mais alérgenos (selecionados previamente nos testes alérgicos) e tem como objetivo diminuir a sensibilidade do organismo apresenta em decorrência do contato com essas substâncias.

Em breve falaremos detalhadamente sobre o tratamento com as vacinas (imunoterapia).  . ___________________________________________________________________________________________

Dra. Flávia Braz – dermatologia e endocrinologia veterinária

Dra. Juliana Leitão – dermatologia veterinária

 

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Os cães obesos e as festas de final de ano

 

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As festas de fim de ano vem aí e com elas geralmente caprichamos na mesa. Muitos presentes, muita comida, barriga cheia! Mas sabe o que deve se manter balanceada? A alimentação de nossos pets! Aliás, o ano inteiro deve se manter assim, para evitarmos um mal crescente entre eles: a obesidade!

A obesidade é definida como o estado de acúmulo excessivo de tecido adiposo, ou seja, excesso de gordura corporal em relação à massa magra. É definida como doença pela Organização Mundial da Saúde e causa a morte de milhões de pessoas por ano. Mas há algum problema no fato dos nossos melhores amigos serem gordinhos? Há sim! O excesso de peso não envolve somente um problema mecânico, fazendo com que eles apresentem um peso além do que sua anatomia suporta. Vai muito além disso. Temos problemas metabólicos, endocrinológicos, importantes que se desenvolvem.

O tecido adiposo também produz substâncias inflamatórias por exemplo, chamadas adipocinas, que portanto estão implicadas com um padrão inflamatório no corpo, gerando dor! Isso mesmo, dor, desconforto! Termina por aí? Não, não. Também predispõe a doenças hormonais como a diabetes, promove acúmulo de gordura no fígado, rins, diminuindo a função desses órgãos, doenças nas articulações, complicações respiratórias, hipertensão e consequentemente diminuindo qualidade de vida e longevidade!

A vida sedentária e uma alimentação não balanceada contribuem e muito para a obesidade. Seu animal está acima do peso? Você consegue avaliar se está? Apresenta alguma alteração metabólica por conta disso? E doença hormonal que contribua para a obesidade? A Endocrinologia pode te ajudar nesse processo! Então já sabe, nada de deixar seu animal se exceder quanto ao peso!

Dr. Rodrigo Brum – endocrinologia veterinária