Arquivo mensal: agosto 2018

Seu pet já aferiu a pressão arterial?

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Você sabia que é possível aferir a pressão arterial do seu pet? Assim como na medicina humana, os animais também podem sofrer com a hipertensão, porém raríssimas vezes, essa hipertensão é primária como nos humanos. A hipertensão pode ser secundária a outras doenças (renais ou endócrinas) e leva a lesão de órgãos-alvo em tecidos que recebem sangue com alta pressão sistólica.

Na rotina, usamos o método de medidas indiretas da pressão sanguínea (MIPS) que é um método não invasivo, indolor, obtido através da colocação de um manguito em uma das patas ou na cauda e utiliza-se um transdutor ultra-sônico para detectar o fluxo sanguíneo. O manguito inflado através do esfignomanômetro, irá comprimir a artéria impedindo o fluxo de sangue naquela região e assim, não é possível escutar a passagem do mesmo. Ao desinflar o manguito lentamente, volta-se a escutar o som do fluxo e é nessa hora que fazemos a leitura no esfignomanômetro. Animais ansiosos, que sofrem a “Síndrome do jaleco branco”, podem apresentar a pressão sanguínea aumentada. A mensuração deve ser feita em um ambiente tranquilo e o paciente ser minimamente contido. A pressão arterial sistólica de até 150mmHg é considerada normal. A pressão acima de 200mmHg é considerada grave e deve ser tratada.

Sopro em foco mitral, rins pequenos (gatos), descolamento de retina e hemorragia retiniana são os achados mais comuns encontrados em animais hipertensos.
Após confirmada a hipertensão testes deverão ser realizados para identificar a causa e o estágio do dano ao órgão-alvo e assim deve-se traçar um plano de tratamento e sugerir um prognóstico.

Alguns exames podem ser solicitados para ajudar no diagnóstico de hipertensão. Dentre eles estão os exames de sangue, pesquisa de hormônios, RX, eletrocardiograma e ecocardiograma, sendo este último o mais indicado para avaliar se há hipertrofia do ventrículo esquerdo concêntrica e em alguns casos encontrar descompensação e insuficiência cardíaca.

A hipertensão deve ser tratada junto à causa primária e um atendimento multidisciplinar é fundamental para o sucesso no tratamento.

Então, da próxima vez que seu pet for à consulta, peça para o seu veterinário aferir a sua pressão.

Dra. Fernanda Rohnelt – cardiologia veterinária

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Ultrassonografia em cães e gatos: tire suas dúvidas

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A ultrassonografia é um método que produz em tempo real imagens em movimento das estruturas e órgãos do interior do corpo. Pode ser usado para fins preventivos, diagnósticos ou como acompanhamento de tratamentos. Entre as vantagens do ultrassom está a de ser de um método de captura de imagem não invasivo, sem usar radiação ou necessitar de anestesia.

Confira algumas das dúvidas mais comuns sobre a ultrassonografia e suas respectivas respostas:

1 – Como é feito o exame de ultrassonografia?

O exame consiste em fazer deslizar sobre a pele, com ajuda de um gel, um pequeno aparelho chamado transdutor, que emite ondas sonoras de alta frequência, que são captadas de volta sob a forma de eco. Como cada órgão e estrutura tecidual têm uma densidade específica, os tempos de retorno dos ecos devolvidos por eles são diferentes e são traduzidos na tela, formando uma imagem captada por um computador.

2- Para que serve o gel ultrassonográfico?

O gel usado em ultrassonografia é a base de água não causando alergia e/ou irritação na pele. É usado para facilitar o deslizamento do transdutor pela pele, neutralizar a interferência do ar no contado e fazem uma camada de afastamento possibilitando a visualização de estruturas superficiais.

3 – É preciso tosar a barriga do meu pet?

Infelizmente alguns vezes se faz necessário a tosa do local a ser avaliado para facilitar o contato do transdutor na pele e minimizar a presença do ar no local possibilitando assim a visualização das estruturas a serem estudadas. A tosa é feita com um aparelho próprio para isso e não causa dor.

4- A ultrassonografia é um exame seguro?

Sim, é um exame completamente seguro.

5 – É exigido algum preparo prévio antes da ultrassonografia?

A falta de preparo prévio não impossibilita o exame, mas como gás em alça intestinal dificulta a visualização de algumas estruturas, o ideal é que o paciente fique em jejum de 6 a 8 horas e com a repleção da bexiga.

6 – Este exame causa dor?

É um exame não invasivo e indolor que fornece imagens dinâmicas em tempo real, sem o uso de radiação ou anestésicos.

7- Meu pet é muito bravo. Precisa ser sedado para a realização do exame?

Não. O máximo que pode acontecer é ser necessário o uso de fucinheira e/ou toalhas e/ou malhas de contenção. Nenhum tipo de contenção causa dor ao animal q normalmente durante o exame acabam relaxando e cooperando quando se dão conta q nada de ruim ira acontecer.

8 – Existem contraindicações?

Não. Todos podem fazer este exame.

9- Qual a posição que o meu pet vai ficar?

A melhor posição para a realização do exame é em decúbito dorsal ,ou seja, de barriga p cima. Eles são deitados com todo o cuidado e carinho em uma calha de espuma grossa forrada na qual ficam confortavelmente durante todo o exame.

10- Quanto tempo demora o exame?

O exame é operador dependente mas o comportamento do pet também deve ser levado em consideração. Normalmente leva entre 30 minutos a 1 hora de duração.

Tem mais dúvidas a respeito desse exame? Envie para gente!

Dra. Elida Gripp Manheimmer – ultrassonografia veterinária

 

O veterinário auscultou um sopro no coração do meu pet. E agora?

shrpei puppy dog with a stethoscope on his neck. isolated

Existem vários motivos para o sopro estar presente. Mas tem um tipo de sopro que é sem dúvida o mais frequente na clínica de pequenos animais, que é o causado na endocardiose de válvula mitral (EVM).
Mas afinal o que é EVM? É a doença cardíaca adquirida mais comum nos cães idosos que pode acometer qualquer raça, porém cães de pequeno porte sofrem mais as consequências clínicas da doença. Com o passar do tempo as valvas que deveriam ser finas, lisas e com boa coaptção, sofrem uma degeneração e fibrose com isso elas não conseguem exercer bem o seu papel. As valvas funcionam como portas bang bang (tipo de faroeste) que abrem e fecham o tempo todo! Milhares de vezes ao dia! Elas servem para impedir que o sangue que deve sair do átrio em direção ao ventrículo, retorne ao átrio. Quando essas “portas” não exercem seu papel de forma adequada ocorre um refluxo de sangue para o átrio. O sangue saindo do átrio em direção ao ventrículo mais o refluxo causa um turbilhonamento que pode ser auscultado ou até mesmo sentido com as mãos, dependendo da velocidade.
Que consequências o sopro pode ter? Pense no nosso dia a dia, no trânsito, por exemplo: Quando o transito está muito ruim em uma importante via, ele vai refletir não só pontualmente naquele local mas também em outras vias. No coração acontece como no trânsito. Fisiologicamente o sangue vem das veias pulmonares, chega ao átrio esquerdo e segue em direção ao ventrículo esquerdo e de lá ele segue para a artéria aorta sendo distribuído para o resto do corpo. Na EVM parte do sangue está indo em seu fluxo normal enquanto parte dele está voltando. Com isso o átrio começa a remodelar seu tamanho para acomodar esse sangue que está voltando do ventrículo e mais o sangue vindo das veias pulmonares. O remodelamento ocorre de forma progressiva até que o “congestionamento” fica ainda maior e chega às veias pulmonares. É quando ocorre a insuficiência cardíaca congestiva esquerda(ICCE) levando ao edema pulmonar, que é a principal consequência clinica da EVM.
A principal queixa do proprietário do cão com EVM é a tosse. Essa tosse ocorre por conta do aumento do átrio esquerdo que comprime os brônquios ou, em fases mais avançadas, quando a ICC está presente e há o edema pulmonar. Podem acontecer desmaios, lembrando que com o sangue não seguindo seu fluxo normal, ele não perfunde adequadamente e a oxigenação fica comprometida.
O estetoscópio é um instrumento valioso na detecção do sopro. Mas é o ecodopplercardiograma que nos traz informações mais apuradas de como está o funcionamento do aparato valvar, quanto de sangue está regurgitando para o átrio, qual a velocidade desse refluxo e principalmente, nos mostra se há remodelamento do átrio que antecede o edema. Em alguns casos, podemos encontrar um coração tão remodelado que as arritmias podem estar presentes, sendo que estas são diagnosticadas através do eletrocardiograma. Outro parâmetro que deve ser levado em conta é a mensuração da pressão arterial que por muitas vezes encontra-se aumentada pelo aumento de volume dentro do átrio e/ou veias pulmonares.
O tratamento da EVM é de acordo com o quadro do paciente e vai depender de cada caso. Não conseguimos melhorar a condição das valvas em si, mas trabalhamos para dar uma melhor qualidade de vida aos nossos pacientes.
Se você tem um cãozinho e quer saber como está o coraçãozinho dele, agende uma consulta com seu cardiologista de confiança!

Dra. Fernanda Rohnelt – cardiologia veterinária

Alguma vez já aferiram a pressão arterial do seu pet?

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Você sabia que é possível aferir a pressão arterial do seu pet? Assim como na medicina humana, os animais também podem sofrer com a hipertensão, porém raríssimas vezes, essa hipertensão é primária como nos humanos. A hipertensão pode ser secundária a outras doenças (renais ou endócrinas) e leva a lesão de órgãos-alvo em tecidos que recebem sangue com alta pressão sistólica.
Na rotina, usamos o método de medidas indiretas da pressão sanguínea (MIPS) que é um método não invasivo, indolor, obtido através da colocação de um manguito em uma das patas ou na cauda e utiliza-se um transdutor ultra-sônico para detectar o fluxo sanguíneo. O manguito inflado através do esfignomanômetro, irá comprimir a artéria impedindo o fluxo de sangue naquela região e assim, não é possível escutar a passagem do mesmo. Ao desinflar o manguito lentamente, volta-se a escutar o som do fluxo e é nessa hora que fazemos a leitura no esfignomanômetro. Animais ansiosos, que sofrem a “Síndrome do jaleco branco”, podem apresentar a pressão sanguínea aumentada. A mensuração deve ser feita em um ambiente tranquilo e o paciente ser minimamente contido. A pressão arterial sistólica de até 150mmHg é considerada normal. A pressão acima de 200mmHg é considerada grave e deve ser tratada.
Sopro em foco mitral, rins pequenos (gatos), descolamento de retina e hemorragia retiniana são os achados mais comuns encontrados em animais hipertensos.
Após confirmada a hipertensão testes deverão ser realizados pra identificar a causa e o estágio do dano ao órgão-alvo e assim deve-se traçar um plano de tratamento e sugerir um prognóstico.
Alguns exames podem ser solicitados para ajudar no diagnóstico de hipertensão. Dentre eles estão os exames de sangue, pesquisa de hormônios, RX, eletrocardiograma e ecocardiograma, sendo este último o mais indicado para avaliar se há hipertrofia do ventrículo esquerdo concêntrica e em alguns casos encontrar descompensação e insuficiência cardíaca.
A hipertensão deve ser tratada junto à causa primária e um atendimento multidisciplinar é fundamental para o sucesso no tratamento.
E você?Alguma vez já aferiu a pressão arterial do seu pet?

Dra Fernanda Rohnelt – especialista em Cardiologia veterinária