Arquivo mensal: março 2019

Conhece o exame SDMA? Saiba como ter um diagnóstico precoce da Doença Renal.

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A doença renal crônica (DRC) define-se como uma síndrome clínica caracterizada pela perda progressiva das unidades funcionais dos rins, os néfrons, que evolui por um período extenso, geralmente por meses ou anos. O maior desafio desta doença é que os sinais clínicos não são evidentes até que haja uma perda de 67 a 75% dos néfrons, estágio em que os rins perdem sua capacidade compensatória. A DRC é considerada a maior causa de morbidade e mortalidade em cães e gatos. Nos felinos, estima-se que a doença ocorra em cerca de 10% da população como um todo, podendo afetar mais de 30% dos gatos acima de 10 anos de idade. Logo, o diagnóstico precoce da doença é de extrema importância para que seja feito o estadiamento e controle da doença o quanto antes, para aumentar a qualidade de vida dos nossos amigos.

De acordo com um estudo recente realizado em 32 gatos idosos saudáveis por pesquisadores da Universidade do Estado de Oregon um biomarcador recém-descoberto pode fornecer detecção precoce da doença renal crônica.

O estudo mostrou que o biomarcador, chamado SDMA (Dimetilarginina simétrica) é a melhor maneira de medir a função renal em gatos idosos. Este novo biomarcador identifica o aparecimento da doença renal em uma média de 17 meses antes do teste padrão para esta doença, que mede os níveis de creatinina no soro. O SDMA eleva a partir da perda de 25% da função renal, o que o torna mais confiável tanto para o diagnóstico de insuficiência renal aguda quanto o de doença renal crônica. Com a avaliação dos níveis de creatinina, não é possível identificar problemas renais até a perda de quase 75% da função renal.

A creatina surge da proteína muscular, mas dado que à medida que envelhecem, na maioria dos gatos perdem massa magra do corpo, os níveis de creatina podem aparecer normais, mesmo estando aumentada. Por isso, este novo exame tem como principais vantagens:

• ser mais sensível e específico que a creatinina para diagnóstico e monitoramento da Doença Renal (DR).
• dar ao médico veterinário a oportunidade de alterar o curso da doença renal e aumentar a expectativa de vida de seus pacientes.
• poder ser usado para monitorar e avaliar o tratamento da doença renal.
• não sofre interferências comuns de ocorrer na creatinina, como: massa muscular e alimentação.
Com a detecção precoce da DR nos exames de SDMA, o médico veterinário não precisa esperar pelos sinais clínicos de azotemia antes de diagnosticar uma doença renal, ou seja, a doença pode ser detectada antes que o animal tenha um aumento da creatinina sanguinea. Além disso, o SDMA por ser um teste quantitativo, possibilita o monitoramento do curso da doença e avaliação da resposta do animal ao tratamento.
Os sinais de doença renal são vagos, inespecíficos e podem ser difíceis de identificar antes que o animal se torne azotemico.
• Um diagnóstico precoce de doença renal garante uma melhor qualidade de vida e um melhor prognóstico para seu paciente.

 

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Hipertireoidismo Felino e Doença Renal Crônica – quando o rim dialoga com a tireoide!

Mês de março, mês da conscientização da Doença Renal, o famoso Março Amarelo. Uma época que chamamos a atenção para as alterações renais, sobretudo nos nossos felinos. Tudo bem, mas o que isso tem a ver com o Hipertireoidismo Felino? Muita coisa! 

Quem acompanha o blog sabe que o Hipertireoidismo é uma disfunção da glândula tireoide com produção excessiva de seus hormônios T3 e T4. Seus sinais e sintomas são bem característicos e vou chamar a atenção para alguns em particular: aumento na ingesta de água, aumento na frequência urinária e perda de peso (embora saibamos que existam outros como fome excessiva, vômitos, diarreia, aumento da frequência respiratória, dentre outros). Realço os três primeiros porque a partir deles podemos traçar um primeiro paralelo com a doença renal: a similaridade dos sintomas que por vezes só nos faz pensar que o rim pode não estar funcionando direito (sim, beber muita água e fazer muito xixi nem sempre é sinal de rim saudável) negligenciando o hipertireoidismo. 

Tá certo, então você levou seu gatinho para uma avaliação de função renal porque ele estava bebendo muita água e urinando muito, com a expectativa de que os parâmetros de avaliação renal mais comumente dosados no sangue – ureia e creatinina – estivessem alterados (geralmente elevados) e… Estavam normais. Ufa! Que alívio, não? Afinal, se estão normais significa que os rins estão normais também, certo? Não necessariamente. Primeiro porque hoje existem metodologias capazes de avaliar a função renal de forma mais precoce (mas isso vamos deixar para os nossos Nefrologistas, não é mesmo?). Segundo porque se o seu gato tiver desenvolvido hipertireoidismo os níveis de ureia e creatinina podem estar normais e por vezes somente ligeiramente elevados! Isso mesmo. O Hipertireoidismo pode mascarar a existência prévia de lesão renal importante . E o que isso significa na prática? Se foram identificados níveis elevados de hormônio tireoideano(Hipertireoidismo) e posteriormente instituído o protocolo de tratamento, pode ocorrer aumento no sangue de ureia e creatinina, evidenciando a lesão renal que já se encontrava, só estava escondida (daí a importância do acompanhamento)! O que fazer? Não tratar o excesso de hormônio da tireoide?? De forma alguma! A doença hormonal vai piorar ainda mais a lesão renal! Para isso, é importante o acompanhamento do Endocrinologista Veterinário, para determinar qual será a melhor concentração hormonal que seu gatinho deve ficar bem como do Nefrologista Veterinário, que irá manejar da melhor maneira a lesão renal, e ambos profissionais trabalhando em conjunto para aumentar a qualidade de vida de seu animal! E você? Já fez  avaliação endocrinológica e nefrológica de seu animal?

Dr. Rodrigo Brum – especialista em endocrinologia Veterinaria é sócio fundados da Asssociação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (ABEV).