Arquivo mensal: maio 2019

O Hiperadrenocorticismo e a Hipertensão Arterial

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Com o avanço da medicina veterinária e melhorias nas formas de diagnóstico e tratamento, os nossos queridos amigos de quatro patas, felizmente, estão vivendo cada vez mais. Com isso, as doenças relacionadas ao envelhecimento, também tornaram-se mais frequentes na rotina clínica. As doenças endócrinas (hormonais) correspondem a quase 10% do volume total dos atendimentos clínicos e podem acometer tanto os caninos quanto os felinos.

O hiperadrenocorticismo (HAC) também conhecido como Síndrome de Cushing é uma doença de ocorrência comum em cães com média de idade de 10,2 +/- 2,86, com prevalência maior em fêmeas. Embora possa acometer qualquer raça, cães de pequeno porte são mais propensos a desenvolver a doença.  Esta patologia é caracterizada pela secreção ou administração excessiva de glicocorticoides (cortisol) pelas adrenais e tem como principais sinais clínicos a poliúria (paciente urina em excesso) e polidipsia (aumento na ingestão de água). A polifagia (apetite aumentado) é igualmente comum. Outra alteração característica no paciente com Cushing é o abdome abaulado devido a hepatomegalia (aumento do fígado) e ao enfraquecimento da musculatura abdominal pelo efeito catabólico do excesso de cortisol. Fraqueza muscular, intolerância ao exercício, ofegacão, letargia e obesidade são comuns em pacientes com HAC. Podemos também observar algumas manifestações cutâneas onde a alopecia (regiões sem pelos) e afinamento cutâneo são as mais evidentes.

Mas o que é o cortisol?

É o hormônio do mecanismo de luta ou fuga, que aumenta em quantidade no sangue quando o organismo do seu cão percebe o estresse e esse aumento impacta em funções importantes no organismo do seu pet, incluído a pressão arterial (PA), o equilíbrio de sais minerais, o sistema imunológico e etc…

Seu bichinho de estimação precisa secretar o cortisol em pequenas quantidades, o excesso pode ser tóxico.  Dentre os perigos do aumento da produção do cortisol está a hipertensão arterial, que pode resultar em doença cardiovascular.

A hipertensão arterial ocorre em mais de 50% dos cães com HAC não tratadas, sendo uma complicação relativamente frequente nesta doença, portanto, a manutenção da PA dentro dos valores de normalidade (até 150mmHg) é de extrema importância para garantir uma adequada perfusão sanguínea aos órgãos e tecidos. A principal consequência de um aumento persistente nos valores da PA é a lesão de órgãos alvo como coração, rins, olhos e encéfalo. É importante ressaltar, que mantendo o HAC sob controle, podemos ajudar a manter o paciente com a PA dentro dos limites de normalidade.

Agora sabendo um pouco mais sobre essa doença e das consequências que ela pode trazer para o sistema cardiovascular, que tal agendar uma consulta com um de nossos especialistas?

M.V. Fernanda Rohnelt – especialista em cardiologia veterinária

 

 

 

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Cardiomiopatia Hipertrófica em felinos com Hipertireoidismo

gato coração

O hipertireoidismo é a doença endócrina mais comum em felinos de meia idade a idosos, caracterizada pela produção e secreção excessiva dos hormônios  T3 (Triiodotironina)  e T4  (Tiroxina) pela glândula tireóide. Está doença está se tornando cada vez mais frequente na rotina clínica veterinária.

Os principais sintomas da doença estão relacionados a aceleração do metabolismo pelo excesso de hormônios circulantes. Os sintomas são progressivos e mais da metade dos felinos começam a apresentar esses sintomas 6 meses há 1 ano antes de serem encaminhados ao veterinário. Isso acontece porque inicialmente esses sintomas podem ser confundidos com um estado saudável, pois nessa fase o tutor somente observa aumento de apetite e hiperetitividade. Com o avanço da doença torna-se mais fácil perceber que há algo errado, pois o felino passa a apresentar também emagrecimento progressivo, vômito, diarreia, taquicardia, aumento da ingestão de água e aumento da diurese.

Mas qual é a relação do hipertireoidismo com o coração dos felinos?

Se não bastassem todos esses sintomas que debilitam muitos os pacientes portadores dessa doença, o metabolismo acelerado também afeta o coração. Esse estado hipermetabólico, promove aceleração cardíaca, aumenta a contração e o consumo de oxigênio do músculo cardíaco, além de aumentar também o débito cardíaco  o gasto de energia e a pressão arterial, levando a uma hipertrofia compensatória da musculatura cardíaca. Essa hipertrofia nada mais é do que o aumento da parede do coração.

A cardiomiopatia hipertrófica é a principal doença cardíaca a acometer os felinos. Trata-se de uma doença grave que pode se desenvolver por predisposição genética ou secundária a doenças entra elas destacamos o hipertireoidismo. Inicialmente é uma doença silenciosa, por isso é muito importante que todo paciente portador de hipertireoidismo seja encaminhado para uma avalição cardiológica. Os primeiros sinais da doença são muito inespecíficos como letargia e anorexia e durante a consulta já podem ser detectados sopros e arritmias. Com a evolução da doença surgem os sintomas relacionados a insuficiência cardíaca congestiva e entre eles podemos destacar a dificuldade respiratória, cianose de mucosas e intolerância a exercícios, além da predisposição ao tromboembolismo. O diagnóstico se dá através do exame ecocardiográfico que pode ser realizado durante a consulta.

O diagnóstico precoce e o tratamento adequado da doença são fundamentais para a qualidade de vida do paciente evitando as complicações decorrente de sua evolução.  Por se tratar de duas doenças potencialmente graves e silenciosas num primeiro momento, as consultas com o médico veterinário com regularidade são de extrema importância.

Agende uma consulta com nossos especialistas.

Viviane Azevedo – médica veterinária especialista em cardiologia.