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O Hiperadrenocorticismo e a Hipertensão Arterial

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Com o avanço da medicina veterinária e melhorias nas formas de diagnóstico e tratamento, os nossos queridos amigos de quatro patas, felizmente, estão vivendo cada vez mais. Com isso, as doenças relacionadas ao envelhecimento, também tornaram-se mais frequentes na rotina clínica. As doenças endócrinas (hormonais) correspondem a quase 10% do volume total dos atendimentos clínicos e podem acometer tanto os caninos quanto os felinos.

O hiperadrenocorticismo (HAC) também conhecido como Síndrome de Cushing é uma doença de ocorrência comum em cães com média de idade de 10,2 +/- 2,86, com prevalência maior em fêmeas. Embora possa acometer qualquer raça, cães de pequeno porte são mais propensos a desenvolver a doença.  Esta patologia é caracterizada pela secreção ou administração excessiva de glicocorticoides (cortisol) pelas adrenais e tem como principais sinais clínicos a poliúria (paciente urina em excesso) e polidipsia (aumento na ingestão de água). A polifagia (apetite aumentado) é igualmente comum. Outra alteração característica no paciente com Cushing é o abdome abaulado devido a hepatomegalia (aumento do fígado) e ao enfraquecimento da musculatura abdominal pelo efeito catabólico do excesso de cortisol. Fraqueza muscular, intolerância ao exercício, ofegacão, letargia e obesidade são comuns em pacientes com HAC. Podemos também observar algumas manifestações cutâneas onde a alopecia (regiões sem pelos) e afinamento cutâneo são as mais evidentes.

Mas o que é o cortisol?

É o hormônio do mecanismo de luta ou fuga, que aumenta em quantidade no sangue quando o organismo do seu cão percebe o estresse e esse aumento impacta em funções importantes no organismo do seu pet, incluído a pressão arterial (PA), o equilíbrio de sais minerais, o sistema imunológico e etc…

Seu bichinho de estimação precisa secretar o cortisol em pequenas quantidades, o excesso pode ser tóxico.  Dentre os perigos do aumento da produção do cortisol está a hipertensão arterial, que pode resultar em doença cardiovascular.

A hipertensão arterial ocorre em mais de 50% dos cães com HAC não tratadas, sendo uma complicação relativamente frequente nesta doença, portanto, a manutenção da PA dentro dos valores de normalidade (até 150mmHg) é de extrema importância para garantir uma adequada perfusão sanguínea aos órgãos e tecidos. A principal consequência de um aumento persistente nos valores da PA é a lesão de órgãos alvo como coração, rins, olhos e encéfalo. É importante ressaltar, que mantendo o HAC sob controle, podemos ajudar a manter o paciente com a PA dentro dos limites de normalidade.

Agora sabendo um pouco mais sobre essa doença e das consequências que ela pode trazer para o sistema cardiovascular, que tal agendar uma consulta com um de nossos especialistas?

M.V. Fernanda Rohnelt – especialista em cardiologia veterinária

 

 

 

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Cardiomiopatia Hipertrófica em felinos com Hipertireoidismo

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O hipertireoidismo é a doença endócrina mais comum em felinos de meia idade a idosos, caracterizada pela produção e secreção excessiva dos hormônios  T3 (Triiodotironina)  e T4  (Tiroxina) pela glândula tireóide. Está doença está se tornando cada vez mais frequente na rotina clínica veterinária.

Os principais sintomas da doença estão relacionados a aceleração do metabolismo pelo excesso de hormônios circulantes. Os sintomas são progressivos e mais da metade dos felinos começam a apresentar esses sintomas 6 meses há 1 ano antes de serem encaminhados ao veterinário. Isso acontece porque inicialmente esses sintomas podem ser confundidos com um estado saudável, pois nessa fase o tutor somente observa aumento de apetite e hiperetitividade. Com o avanço da doença torna-se mais fácil perceber que há algo errado, pois o felino passa a apresentar também emagrecimento progressivo, vômito, diarreia, taquicardia, aumento da ingestão de água e aumento da diurese.

Mas qual é a relação do hipertireoidismo com o coração dos felinos?

Se não bastassem todos esses sintomas que debilitam muitos os pacientes portadores dessa doença, o metabolismo acelerado também afeta o coração. Esse estado hipermetabólico, promove aceleração cardíaca, aumenta a contração e o consumo de oxigênio do músculo cardíaco, além de aumentar também o débito cardíaco  o gasto de energia e a pressão arterial, levando a uma hipertrofia compensatória da musculatura cardíaca. Essa hipertrofia nada mais é do que o aumento da parede do coração.

A cardiomiopatia hipertrófica é a principal doença cardíaca a acometer os felinos. Trata-se de uma doença grave que pode se desenvolver por predisposição genética ou secundária a doenças entra elas destacamos o hipertireoidismo. Inicialmente é uma doença silenciosa, por isso é muito importante que todo paciente portador de hipertireoidismo seja encaminhado para uma avalição cardiológica. Os primeiros sinais da doença são muito inespecíficos como letargia e anorexia e durante a consulta já podem ser detectados sopros e arritmias. Com a evolução da doença surgem os sintomas relacionados a insuficiência cardíaca congestiva e entre eles podemos destacar a dificuldade respiratória, cianose de mucosas e intolerância a exercícios, além da predisposição ao tromboembolismo. O diagnóstico se dá através do exame ecocardiográfico que pode ser realizado durante a consulta.

O diagnóstico precoce e o tratamento adequado da doença são fundamentais para a qualidade de vida do paciente evitando as complicações decorrente de sua evolução.  Por se tratar de duas doenças potencialmente graves e silenciosas num primeiro momento, as consultas com o médico veterinário com regularidade são de extrema importância.

Agende uma consulta com nossos especialistas.

Viviane Azevedo – médica veterinária especialista em cardiologia.

Diabetes em cães: saiba mais

cão diabetico

Quando um tutor chega para uma consulta com seu melhor amigo e dosamos a glicose do seu animalzinho, é comum vir a pergunta: “Mas os cães e gatos tem diabetes?” E eu costumo brincar “Claro, se eles tem pâncreas, eles podem se tornar diabéticos!”. Cães e gatos tem a maioria das doenças que temos, principalmente em se tratando de doenças hormonais, e a Diabetes Mellitus é uma delas.

A Diabetes Mellitus (DM) é uma doença caracterizada pelo aumento da glicose (glicemia) no sangue.  Pode ocorrer devido a defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas. A função principal da insulina é promover a entrada de glicose para as células do organismo de forma que ela possa ser aproveitada para as diversas atividades celulares. A falta da insulina ou um defeito na sua ação resulta, portanto, em acúmulo de glicose no sangue, o que chamamos de hiperglicemia.

Como a diabetes em cães é um pouco diferente de diabetes em felinos, vamos falar de cada uma em posts separados. Hoje falaremos um pouco mais sobre a Diabetes em cães.

Nos nossos melhores amigos, a diabetes ocorre, na maioria das vezes, devido a uma doença autoimune, ou seja, o próprio organismo destrói as células pancreáticas, que produzem a insulina, chamadas de células beta. Hoje em dia já sabemos que existe também uma predisposição genética para que isso aconteça. Mas hoje em dia temos visto o aumento dos casos de DM também devido ao uso de corticoides e, principalmente, devido a uma outra doença endócrina chamada de hiperadrenocorticismo (você pode ler mais sobre essa doença clicando aqui). Outra doença que pode levar a DM é a obesidade, mas isso também será assunto para outro post.

Os sinais clínicos da DM incluem: aumento do apetite, aumento da sede e da produção de urina e perda de peso. Além disso, os animais ficam mais prostrados, dormem mais. E, se a doença avançar sem o devido tratamento, os pacientes podem apresentar também vômitos e diarreia. Quando esses sinais aparecem, é porque esse animal está com uma quantidade muito alta e glicose no sangue, que faz com que ele entre num quadro grave chamado cetoacidose diabética (CAD). A CAD é uma complicação séria e requer internação imediata ou o animal pode vir a óbito até mesmo em poucas horas após o diagnóstico.

O tratamento da DM em cães é feito através da aplicação de insulina 2 vezes ao dia e da mudança da dieta para uma alimentação que tenha baixo índice glicêmico (rica em proteínas e fibras). E o aumento do exercício físico também é bem importante no controle da glicemia. Então vamos colocar nossos peludos para caminhar!

A DM é uma doença crônica, ou seja, uma vez doente, ela o acompanhará durante toda a vida. Um cão diabético em casa é motivo de preocupação e é essencial que toda a família participe do cuidado com esse peludo. Afinal, esses cães não podem comer mais petiscos fora de hora, sua alimentação será rigorosa, onde horários e a quantidade de alimentação oferecida serão controlados. Esse paciente terá que tomar injeções diárias e é interessante que mais de uma pessoa na casa saiba aplicá-la. Além disso, sempre contamos com a colaboração da família para eventualmente dosar a glicemia em casa. Mas o amor que temos por esses filhos de 4 patas supera isso tudo e, com muito amor e dedicação, em pouco tempo as famílias se adaptam muito bem a tudo isso.

Tem ou teve um cãozinho diabético em casa? Compartilhe aqui nos comentários, para dar apoio aos tutores que estão enfrentando isso pela primeira vez 😉

Dra. Flávia G. Braz – endocrinologia veterinária.

 

TOXOPLASMOSE FELINA – Estou grávida, preciso me desfazer do meu gatinho?

Quem nunca conheceu uma mulher gravida que teve a indicação do seu médico de se desfazer do seu gatinho por medo de contrair a tão temida Toxoplasmose?? Mas como assim se desfazer do seu filho??? 

     Isso mesmo… por mais absurdo que pareça, infelizmente, essa é uma recomendação muito comum. Muitos acreditam que o simples contato com os bichanos é o suficiente para que a doença seja contraída. Esse medo todo se dá porque caso a Toxoplasmose seja contraída durante a gravidez, pode levar a abortos espontâneos, além de poder causar também prematuridade e retardo no crescimento intrauterino. Porém, se a gestante já foi infectada anteriormente (até 6 meses antes do início da gestação), desenvolveu imunidade à doença. O grande problema é quando ela é infectada durante a gestação, principalmente nos primeiros meses.

Mitos sobre a Toxoplasmose:

É importante que todos saibam, que o simples contato com um animal infectado, com seu pelo ou até mesmo com suas fezes “frescas” não são suficientes para contrair a doença. Apenas 1% da população felina participa da disseminação da toxoplasmose. Eles contraem o parasita quando caçam e se alimentam de outros animais infectados através de carnes cruas, como ratos e pássaros. Caso isso aconteça, durante um curto período de tempo os “ovos” da toxoplasmose (chamados de oocistos) serão expelidos junto com as fezes do gato.

Mas então se eu tenho um gatinho e dou carne crua para ele, se eu limpar as fezes dele, posso me contaminar? Para que você se contamine, as fezes deverão ficar expostas a temperaturas acima de 36°C por mais de dois dias, para que os oocistos esporulem e sejam então a real forma de infectar os seres humanos e outros animais. Ah! E o mais importante: os oocistos esporulados precisam ser ingeridos, ou seja, se você lavar bem as mãos a cada limpeza da caixinha do seu bichano, a probabilidade de se contaminar é praticamente nenhuma.

Você sabia, por exemplo, que a probabilidade de se contrair toxoplasmose é maior comendo carne mal cozida do que tendo um gato em casa? SIM. As principais fontes de contaminação são a ingestão de carnes cruas ou malpassadas, frutas e hortaliças mal lavadas. É importante cuidar muito da alimentação, lavar bem as frutas e vegetais e cozinhar bem os alimentos para destruir os parasitas. Essas sim são precauções super importantes para evitar a contaminação.

Quais são as formas de transmissão?

Apesar de depositarem toda a culpa da doença nos nossos pobres felinos, deixando até mesmo a doença conhecida popularmente como “Doença do Gato”, é mais comum as pessoas entrarem em contato com o parasita de outras formas. Como por exemplo:

  • Comendo carne contaminada mal cozida (em casa ou restaurantes);
  • Por ingestão acidental, se não as mãos não forem bem lavadas após o manejo de carne crua;
  • Por ingestão acidental, ao usar utensílios que entraram em contato com carne crua e contaminada (se eles não forem bem lavados depois);
  • Por ingestão acidental, ao mexer com terra contaminada e não lavar as mãos depois (caso haja fezes de gato no local);
  • Bebendo água sem tratamento, contaminada com o parasita;
  • Comendo saladas cruas que por ventura sejam mal higienizadas;
  • Por ingestão acidental, ao entrar em contato com as fezes de um gato infectado pela primeira vez pela toxoplasmose. Se o gato já teve o parasita antes, o risco é mínimo. As fezes devem estar expostas há pelo menos dois dias.

 Estou grávida, o que posso fazer para me prevenir então? 

Não precisamos tomar nenhuma atitude precipitada, de como por exemplo dar nossos gatinhos, só por causa disso! Fique tranquila! Algumas medidas simples e práticas, são suficientes para te deixar segura de que não será contaminada pela Toxoplasmose.

Dicas de prevenção: 

  • Deixe outra pessoa limpar a caixa de areia, se existe essa possibilidade, não custa nada evitar! Se outra pessoa não puder limpar a caixa de areia, faça-o diariamente e utilize luvas. Lave as mãos imediatamente depois, água e sabão, são suficientes!
  • A caixinha de areia deve ser limpa ao menos uma vez por dia e se possível, faça a troca semanal da areia, isso garante que a sua saúde e de seu animal. Lembre-se: os oocistos da toxoplasmose precisam ficar dois dias no ambiente para que se tornem infectantes, portanto, se a caixa de areia for limpa com frequência, o risco de contaminação se torna praticamente impossível;
  • Cozinhe bem qualquer alimento antes de comer, especialmente carnes. Os oocistos morrem a temperaturas acima de 65ºC (cozinhar por 4 a 5 minutos); 
  • Lave bem os utensílios de cozinha que estiveram em contato com carne crua;
  • Mantenha os seus gatos dentro de casa para diminuir as chances de contaminação, eles contraem o parasita ao caçar e comer outros animais, como passarinhos ou ratos contaminados;
  • Não alimente o seu gato com carne crua, ofereça ração ou alimentos bem cozidos;
  • Use luvas ao mexer no jardim, pois a terra pode estar com contaminada com oocistos;
  • Lave as suas mãos depois de cozinhar, antes de comer! Parece o básico, mas muitas pessoas se esquecem na correria do dia a dia.

Lembre-se antes de tomar qualquer decisão precipitada, não há motivo para abandonar ou doar o seu gato. Os melhores métodos de prevenção da Toxoplasmose são através de uma boa higiene, desta formas você estará não só assegurando uma boa saúde a você e sua família, como também dos seus bichanos!

 

Dra.Gabriela Vieira – Clínica Geral e Especialista em Medicina Felina 

 

Doença renal crônica parte 2 – como diagnosticar de forma precoce

Já falamos aqui sobre quais os sintomas da doença renal crônica e como preveni-los (é só ler em https://clinicavetcare.wordpress.com/2018/03/20/doenca-renal-parte-1-saiba-mais-sobre-quais-sao-os-sintomas-e-como-preveni-los/). Agora falaremos um pouco sobre o diagnóstico precoce da doença.

É importantíssimo que se faça um “Checkup” anual nos nossos animais, com o objetivo de ter uma base de informação sobre sua saúde, pois assim é possível além de fazer um diagnóstico precoce e evitar que a doença traga os sintomas mais graves, mas também comparar dados atuais com dados do passado de cada animal podendo assim concluir melhor os resultados. Afinal, mesmo que ainda sejam considerados “normais” pelos parâmetros de normalidade, os rins já podem sinalizar problemas pelo aumento da creatinina, diminuição do tamanho ou do contorno renal ao ultrassom, dentre outros. Sempre importante que se faça exames de urina, imagem, sangue e, se necessária, aferição da pressão arterial.

Nos idosos a recomendação é que procure um médico veterinário nefrologista para diagnóstico e prevenção, mesmo sem aumentos nas taxas de creatinina e uréia, principalmente nos casos onde haja presença de doenças concomitantes que possam lesionar os rins.

As taxas de creatinina e uréia costumam aumentar somente quando a perda ultrapassa 2/3 da massa renal. Por isso é importante que se identifique fatores como a perda de proteína pela urina, hipertensão arterial e a perda da capacidade de concentração urinária. Novos marcadores, mais precoces, também já estão disponíveis e devem ser realizados caso o veterinário julgue necessário.

Existe uma maneira de prevenir que meu animalzinho tenha DRC?

Visita ao médico veterinário desde filhote, seguindo suas recomendações de dietas, exames, e medicações de prevenção (vacinação, vermífugos, carrapaticidas etc) são as principais maneiras de prevenir doenças diversas que vão causar pequenas lesões renais. Ao longo da vida as pequenas lesões podem leva-lo a uma perda de 2/3 da massa renal, e aí sim ter o aparecimento dos primeiros sintomas de maneira mais clara.

Mas mudanças na rotina de seu animal pode dificultar o aparecimento da DRC mais precocemente, como por exemplo, retirar o acesso de animais as plantas com potencial efeito tóxico, deixar água fresca a vontade e em fômites sempre higienizados, oferecer dietas equilibradas e que condizem com as necessidades de cada fase da vida do animal, fazer passeios com frequência estimulando a micção o máximo de vezes ao dia evitando a estase de urina na bexiga por períodos prolongados, castração eletiva de machos idosos antes do aparecimento de problemas prostáticos e cuidados com a higiene oral dos animais sempre.

Quais os objetivos do tratamento se as lesões são irreversíveis?

Principalmente dar qualidade de vida aos pacientes, retardando o avanço da DRC, controlando os fatores de progressão.

E como podemos fazer isso?

Para cada fase da DRC existe uma recomendação para o tratamento. Porém, a qualquer fase da Doença renal, o tratamento sintomático e de outras doenças concomitantes é essencial para a estabilização do quadro.

O tratamento específico tem como principal pilar, a dieta! Todo doente renal deve ser avaliado de acordo com o seu estadiamento e deve receber uma orientação médica para iniciar uma dieta específica. Nem todos os estágios da doença já há uma recomendação para dietas “renais”, já que há em sua formulação muita diferença para as dietas convencionais, essa indicação deve ser dada no momento correto para evitar outros problemas que a mesma possa causar em estágios precoces do diagnóstico. Ademais, o controle da pressão arterial, o tratamento da proteinúria (perda de proteínas na urina em excesso, as consequências gastrointestinais pelo acúmulo de toxinas, acidose metabólica, anemia do doente renal, controle do fósforo, hidratação, controle de infecções urinárias, suplementações e o tratamento do hiperparatireoidismo secundário renal, devem estar sempre sendo monitorados e tratados especificamente por um nefrologista, afim de reduzir os danos ao organismo, aos rins, e ao paciente. Dessa forma conseguimos dar melhor qualidade de vida e longevidade aos pacientes nefropatas.

A utilização das terapias dialíticas nos doentes renais caninos é bastante específico e difere dos paciente humanos. Em geral pacientes com Injúrias Agudas tem mais indicações de realizar os procedimentos dialíticos do que doentes crônicos. Porém, doentes crônicos tem quadros de agudização da doença e podem ter indicação da utilização da técnica. Suas indicações devem ser dadas pelo Nefrologista, e dependem de vários fatores para serem aplicadas. O importante é saber que a hemodiálise e/ou diálise peritoneal, são técnicas de substituição renal, e serão aplicadas afim de retirar o animal de uma crise urêmica, e não serão realizadas para sempre.

Quanto mais cedo iniciamos a identificação, e o tratamento da Doença Renal Crônica, maior o sucesso no controle do avanço, da garantia de qualidade de vida do paciente e da longevidade dele junto a sua família.

Dr. Igor Wirth – nefrologia Veterinaria

Conhece o exame SDMA? Saiba como ter um diagnóstico precoce da Doença Renal.

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A doença renal crônica (DRC) define-se como uma síndrome clínica caracterizada pela perda progressiva das unidades funcionais dos rins, os néfrons, que evolui por um período extenso, geralmente por meses ou anos. O maior desafio desta doença é que os sinais clínicos não são evidentes até que haja uma perda de 67 a 75% dos néfrons, estágio em que os rins perdem sua capacidade compensatória. A DRC é considerada a maior causa de morbidade e mortalidade em cães e gatos. Nos felinos, estima-se que a doença ocorra em cerca de 10% da população como um todo, podendo afetar mais de 30% dos gatos acima de 10 anos de idade. Logo, o diagnóstico precoce da doença é de extrema importância para que seja feito o estadiamento e controle da doença o quanto antes, para aumentar a qualidade de vida dos nossos amigos.

De acordo com um estudo recente realizado em 32 gatos idosos saudáveis por pesquisadores da Universidade do Estado de Oregon um biomarcador recém-descoberto pode fornecer detecção precoce da doença renal crônica.

O estudo mostrou que o biomarcador, chamado SDMA (Dimetilarginina simétrica) é a melhor maneira de medir a função renal em gatos idosos. Este novo biomarcador identifica o aparecimento da doença renal em uma média de 17 meses antes do teste padrão para esta doença, que mede os níveis de creatinina no soro. O SDMA eleva a partir da perda de 25% da função renal, o que o torna mais confiável tanto para o diagnóstico de insuficiência renal aguda quanto o de doença renal crônica. Com a avaliação dos níveis de creatinina, não é possível identificar problemas renais até a perda de quase 75% da função renal.

A creatina surge da proteína muscular, mas dado que à medida que envelhecem, na maioria dos gatos perdem massa magra do corpo, os níveis de creatina podem aparecer normais, mesmo estando aumentada. Por isso, este novo exame tem como principais vantagens:

• ser mais sensível e específico que a creatinina para diagnóstico e monitoramento da Doença Renal (DR).
• dar ao médico veterinário a oportunidade de alterar o curso da doença renal e aumentar a expectativa de vida de seus pacientes.
• poder ser usado para monitorar e avaliar o tratamento da doença renal.
• não sofre interferências comuns de ocorrer na creatinina, como: massa muscular e alimentação.
Com a detecção precoce da DR nos exames de SDMA, o médico veterinário não precisa esperar pelos sinais clínicos de azotemia antes de diagnosticar uma doença renal, ou seja, a doença pode ser detectada antes que o animal tenha um aumento da creatinina sanguinea. Além disso, o SDMA por ser um teste quantitativo, possibilita o monitoramento do curso da doença e avaliação da resposta do animal ao tratamento.
Os sinais de doença renal são vagos, inespecíficos e podem ser difíceis de identificar antes que o animal se torne azotemico.
• Um diagnóstico precoce de doença renal garante uma melhor qualidade de vida e um melhor prognóstico para seu paciente.

 

Hipertireoidismo Felino e Doença Renal Crônica – quando o rim dialoga com a tireoide!

Mês de março, mês da conscientização da Doença Renal, o famoso Março Amarelo. Uma época que chamamos a atenção para as alterações renais, sobretudo nos nossos felinos. Tudo bem, mas o que isso tem a ver com o Hipertireoidismo Felino? Muita coisa! 

Quem acompanha o blog sabe que o Hipertireoidismo é uma disfunção da glândula tireoide com produção excessiva de seus hormônios T3 e T4. Seus sinais e sintomas são bem característicos e vou chamar a atenção para alguns em particular: aumento na ingesta de água, aumento na frequência urinária e perda de peso (embora saibamos que existam outros como fome excessiva, vômitos, diarreia, aumento da frequência respiratória, dentre outros). Realço os três primeiros porque a partir deles podemos traçar um primeiro paralelo com a doença renal: a similaridade dos sintomas que por vezes só nos faz pensar que o rim pode não estar funcionando direito (sim, beber muita água e fazer muito xixi nem sempre é sinal de rim saudável) negligenciando o hipertireoidismo. 

Tá certo, então você levou seu gatinho para uma avaliação de função renal porque ele estava bebendo muita água e urinando muito, com a expectativa de que os parâmetros de avaliação renal mais comumente dosados no sangue – ureia e creatinina – estivessem alterados (geralmente elevados) e… Estavam normais. Ufa! Que alívio, não? Afinal, se estão normais significa que os rins estão normais também, certo? Não necessariamente. Primeiro porque hoje existem metodologias capazes de avaliar a função renal de forma mais precoce (mas isso vamos deixar para os nossos Nefrologistas, não é mesmo?). Segundo porque se o seu gato tiver desenvolvido hipertireoidismo os níveis de ureia e creatinina podem estar normais e por vezes somente ligeiramente elevados! Isso mesmo. O Hipertireoidismo pode mascarar a existência prévia de lesão renal importante . E o que isso significa na prática? Se foram identificados níveis elevados de hormônio tireoideano(Hipertireoidismo) e posteriormente instituído o protocolo de tratamento, pode ocorrer aumento no sangue de ureia e creatinina, evidenciando a lesão renal que já se encontrava, só estava escondida (daí a importância do acompanhamento)! O que fazer? Não tratar o excesso de hormônio da tireoide?? De forma alguma! A doença hormonal vai piorar ainda mais a lesão renal! Para isso, é importante o acompanhamento do Endocrinologista Veterinário, para determinar qual será a melhor concentração hormonal que seu gatinho deve ficar bem como do Nefrologista Veterinário, que irá manejar da melhor maneira a lesão renal, e ambos profissionais trabalhando em conjunto para aumentar a qualidade de vida de seu animal! E você? Já fez  avaliação endocrinológica e nefrológica de seu animal?

Dr. Rodrigo Brum – especialista em endocrinologia Veterinaria é sócio fundados da Asssociação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (ABEV).